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Leia importantes temas abordados neste primeiro volume

Trechos das p. 54, 55

No mesmo ano em que os comandados de Manoel da Nóbrega se estabeleceram em Piratininga, outro padre e um membro da corte de Lisboa foram mortos pelos índios. Nós já os conhecemos, são eles João de Souza e Pero Corrêa, que se tornara jesuíta. A hostilidade dos nativos não facilitava a vida dos colonizadores, mesmo daqueles que se uniam a João Ramalho em Santo André da Borda do Campo, onde o povoado foi fortificado por ordem de Martim Afonso que voltou à Pátria portuguesa, mas não se conformava com a perda dos seus homens, comandados por Pero Lobo, seu valoroso oficial. O que pretendemos contar é que depois dos conflitos com o bacharel, os nativos se revoltaram contra os portugueses e essa guerra que começou em 1531, ainda estava longe de terminar. […]

Se a vida em Santo André da Borda do Campo e São Paulo de Piratininga transcorria com certa tranquilidade ao longo do século XVI, graças à proteção de Ramalho e Tibiriçá, em outras paragens a insegurança reinava. Mesmo esses povoados protegidos sofriam ataques ferozes dos índios contrários. Todavia, por todo o Brasil, diversos foram os líderes indígenas que se bandeavam para um lado e para outro. Aliavam-se aos franceses, em outro momento lutavam ao lado dos portugueses e ainda se tornavam caçadores de índios de tribos inimigas que eram transformados em escravos pelos brancos. Uma atividade que ficaria muito mais evidente com os bandeirantes paulistas, mas que existiu desde a época de Gonçalo da Costa no povoado fundado pelo bacharel em São Vicente, através do antigo Porto de São Vicente, que por causa disso também era conhecido como “porto dos escravos”, como cita Sérgio Buarque de Holanda, em “História Geral da Civilização Brasileira. Época Colonial, tomo I. – As Bandeiras na Expansão Geográfica do Brasil”.

Trechos das p. 87, 88

Desde que Martim Afonso aportou no Brasil, ou mesmo antes dele, nas conversas entre os capitães e marinheiros que circulavam pelos mares do Atlântico ao Pacífico, rotas que foram expandidas depois do início das Grandes Navegações, a cobiça pelo ouro, prata e pedrarias está retratada das mais diversas formas, seja na opulência das cortes ou na pirataria – financiada por reis e rainhas ou não. O Novo Mundo prometia e os aventureiros partiam atrás dos rios de ouro e prata, esmeraldas e riquezas a qualquer custo. A América Espanhola desbravada já rendera bons frutos, com o rápido extermínio dos povos que habitavam as terras descobertas; o ouro dos astecas lhes enchia os olhos e os cofres da Espanha que logo dominaria o reino de Portugal por um curto tempo. Incluída nesse período, entre 1580 a 1640, está a Vila de São Paulo de Piratininga, terra dos bandeirantes. Fora da povoação que se aglomerava na colina, núcleos formadores agrupavam-se às margens do Rio Tietê e do Rio Paraíba. “Os paulistas não se limitaram a passar de bandeirantes a conquistadores. Houve sempre alguma mineração em Iguape e Paranaguá: em maior número ainda, entregaram-se a pesquisas minerais a partir da era de 1670 […]” 10 As bandeiras seguiram diversas direções saindo da Vila de São Paulo, que só iria se tornar cidade em 1711. Partiram em direção ao Rio Tietê, fazendo dele seu caminho e através da navegação chegavam nessa rota ao Rio Paraíba do Sul “pela garganta de São Miguel, desceram-no até Guapacaré, atual Lorena, e dali passaram a Mantiqueira. […] As bandeiras no século XVI devastaram sobretudo o Tietê, cujos numerosos tupiniquins depressa desapareceram, e o alto Paraíba, chamado Rio dos Surubis em Piratininga, segundo informa Glimmer; com o tempo foram-se alongando os raios do despovoamento e depredação, característica essencial e inseparável das bandeiras.” 11

Trechos das p. 112, 113

Fazendo referências a documentos históricos, a autora do livro “O bairro do Brás”, Maria Celestina Teixeira Mendes Torres, nos leva a refletir sobre o percurso entre as tabas dos caciques até chegarmos ao colégio dos padres, e daí saindo o viajante para o leste, tendo como objetivo descobrir os caminhos que o levarão ao Tatuapé. Para chegarmos a tanto, ainda assim com a certeza de que há mais para ser desvendado, tivemos que entender também como outros núcleos humanos foram surgindo nos arredores da vila. “Estudando o Brás como parte de uma pesquisa geral sobre os bairros de São Paulo, temos que situá-lo numa posição, de certo modo definida, dentro de um conceito geral do que vem a ser ‘bairro’. Os documentos que podem revelar a nossos olhos a cidade de São Paulo em épocas anteriores […] enfim, a massa de documentos manuscritos, impressos, inéditos ou publicados, referem-se, ora a bairros, ora a freguesia ou paróquia, ora a distritos ou subdistritos, criando, dessa forma, uma certa dificuldade quando se tenta estabelecer um limite para o ‘bairro’ que pretende estudar.” 2 As dificuldades estão sempre presentes quando tentamos aprofundar o conhecimento sobre os primórdios do Tatuapé. Por isso, estendemos este caminho também para conhecermos os autores que se debruçaram nas histórias de bairros vizinhos, a fim de aprimorarmos ainda mais a autenticidade das afirmações que nortearam esta trajetória histórica, onde nos encontramos com os caiapós de “Curityba”, o Rio da Prata mais ao sul e com o Caramuru no norte do País, sempre voltando à Capitania de São Vicente e a Santos para subir a Serra do Mar, e depois de passar pela cidadela de João Ramalho, se assim podemos chamá-la, descansarmos em uma rede na aldeia de Caiubi, que parece já havia perdoado os males que fizeram ao seu genro, o Bacharel de Cananéia. Esta viagem sempre nos conduz ao início do povoamento na paragem do Tatuapé, que mesmo depois de se tornar bairro, foi tão pouco difundido no início da história de São Paulo. “A análise dos documentos revela que nem sempre coincide o ponto de vista da administração pública, com o que a população considera como bairro, cuja denominação é, em geral, de origem popular, às vezes humilde, ligada a antigos moradores ou a fatos que se incluem nas tradições, às vezes meio lendária, difíceis de explicar à luz da documentação oficial.” 3

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