PEDRO DE ALCÂNTARA BELLEGARDE

Conheça o criador do Batalhão de Engenheiros do Exército e membro fundador do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro

Leia o protesto de Pedro de Alcântara Bellegarde contra o ataque publicado na Gazeta do Rio de Janeiro de 6 de outubro de 1821 contra Oyenhausen, Governador e Capitão General de São Paulo.

Gerson Soares

Antes, conheça um pouco sobre esse ilustre personagem, na descrição de Sébastien Auguste Sisson, artista francês do século XIX radicado no Brasil. No Tatuapé, a via que homenageia Pedro Bellegarde, começa na Rua Diamante Preto e termina na Radial Leste. O trecho que abaixo reproduzimos foi extraído do “Resumo da História do Brasil”, escrito pelo major Henrique Luís de Niemeyer Bellegarde, irmão primogênito do conselheiro Bellegarde. Nas Revistas do Instituto Histórico se encontra a íntegra do seu elogio histórico.

Pedro de Alcântara Bellegarde nasceu em 1807, em águas brasileiras a bordo da nau Príncipe Real e faleceu no Rio de Janeiro em 12 de fevereiro de 1864. Aos 13 anos ingressou no curso de artilharia da Escola Militar do Rio de Janeiro, aonde chegou ao posto de capitão, já na arma de engenharia. Ao concluir o curso em 1827, foi promovido a major em 1828. Marechal de campo foi ministro da Marinha (1853), ministro da Guerra (1853 a 1855) e ministro dos Transportes e da Agricultura (1863 a 1864). Era engenheiro, educador responsável pelo Observatório Nacional (1827), criador do Batalhão de Engenheiros e diretor da Escola Central do Exército e membro fundador do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1838). 1

“Quando os grandes acontecimentos sociais, que enchem as primeiras páginas da história deste século, vieram provar que a vasta América, até então refúgio de obscuros desvalidos, devia oferecer nova pátria aos príncipes perseguidos pelas consequências da revolução francesa; quando, para nos servirmos ainda de palavras que com sobrada razão para aqui transladamos*, a vanguarda do exército francês pisava a terra lusitana, e o príncipe D. João, convencido por uma parte de que toda a resistência seria infrutífera contra o imenso poder de Napoleão, com as poucas forças do Reino, e por outra, cedendo às instâncias de seus conselheiros colaboradores da política inglesa, se revolveu a sair do Tejo e vir buscar asilo no Estado do Brasil; foi a nau Príncipe Real escolhida para transportar à terra de Santa Cruz o regente e a corte.

A bordo desse importante vaso de guerra vinha um destacamento de artilharia, de que era comandante o capitão Cândido Norberto Jorge Bellegarde. Esse distinto oficial trazia em sua companhia a sua virtuosa consorte senhora D. Maria Antônia de Niemeyer Bellegarde, que, não obstante o estado em que se achava, não quis deixar de segui-lo em uma viagem tão travada de contrariedades.

Ao deixar as águas do Tejo, a nau Príncipe Real viu-se salteada por violentos temporais. A despeito da coragem varonil que possuía a senhora D. Maria Bellegarde, que era realçada por uma resignação verdadeiramente evangélica tantas e tão veementes comoções não podiam deixar de atuar fortemente sobre o seu organismo, e o resultado foi que no dia 13 de dezembro de 1807 veio antecipadamente ao mundo um menino que, poucos dias depois, e nos braços do príncipe D. Pedro, recebia na pia batismal o nome de Pedro de Alcântara Bellegarde.” […] 2

Protesto

“Não sofre a humanidade, e muito menos o grito da religião, ver usurpada pela notícia da Gazeta nº 94 a honra, a probidade, exação, e fidelidade do ex-governador, e Capitão General desta Província, o Excelentíssimo Senhor João Carlos Augusto de Oeynhusem, quando ali se afirma, que o Governo Provisional desta bela Província fora criado debaixo da justificadíssima urgência de, a salvar dos horrores de anarquia, que lhe tinha preparado o escandaloso desleixo do seu Governador e Capitão general, unido a impolítica tentativa de reorganizar o Regimento de Caçadores com homens já conhecidos por facinorosos; e por tanto, sendo justo fazer uma justiça distributiva em matéria tão delicada, temos a satisfação, e a glória de afirmar, e até com juramentos dos santos Evangelhos, sendo necessário, que ele governou esta Província com tanta singularidade, e amor dos Povos, que desejando reduzir tudo a boa harmonia, sossego e unanimidade, foi uma das suas primeiras vistas mandar, e mandou expedir uma ordem circular aos Capitães Mores, concebida em termos expressivos, e ajustados à boa razão, para que em virtude dela serem recrutados os homens vadios e inúteis à agricultura; mas nunca os criminosos, por isso que a punição destes está decretada por muitas Leis.

Deste modo, e pelas morais virtudes ingênitas, e inerentes à sua pessoa, ostentou no seu exemplar governo os ardentes desejos, que tinha de unir à causa comum os interesses da nossa Pátria, e ganhou tanto a confiança dos Povos, que estes de mãos dadas com a sua bem fundada esperança, recorriam a ele em todas as suas adversidades para lhes dar remédios a elas, independente dos meios judiciais; e assim reduziu à boa harmonia, e sem despesa, um número infinito de pessoas discordes. Com o seu coração benéfico, sempre aberto ao gemido do infortúnio e da desgraça, ouvia ao rico, ao poderoso, ao pobre, e ao desvalido, sempre igual, e sempre afável.” […] 3

Seguem neste protesto, datado de 10 de novembro de 1821, centenas de assinaturas (firmas), reconhecidas pelo Tabelião Francisco José Barboza e publicadas na Imprensa Nacional do Rio de Janeiro.

 

 

 


Fontes:
1 – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
2 – Galeria dos Brasileiros Ilustres por S. A. Sisson.
* As palavras, que acima reproduzimos, são extraídas do Resumo da História do Brasil, do finado major Henrique Luís de Niemeyer Bellegarde, irmão primogênito do conselheiro Bellegarde. Nas Revistas do Instituto Histórico se encontra o seu elogio histórico.
3 – Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin.
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